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Tudo sobre minha mãe (1999)

Janeiro 4, 2008

Tudo sobre minha mãeBizarro. Assim classifico Pedro Almodóvar. O diretor possui, entretanto, o dom único de transformar simplicidade em magia. A maior prova disso é o seu longa Tudo sobre minha mãe (Todo sobre mi madre, no original) de 1999. O filme mescla de tudo: homossexualismo, religião, família, drogas, preconceito, amor, arte, morte e paixão; contudo, ao contrário do que se espera, Almodóvar não aprensenta-nos um tapete de retalhos porcamente costurados, mas sim uma obra magnífica que se desenrola majestosamente. Não saberia dizer onde está o ponto mais forte. Talvez sejam os personagens – inúmeros e infinitamente complexos, como seres humanos da vida real. Talvez seja o elenco perfeitamente selecionado, ou, quem sabe, a teia tão enredada de relacionamentos que o filme nos introduz. O certo é que é uma obra sem igual.Um bonde chamado desejo

As atuação do filme são surpreendentes: Esteban (Eloy Azorín) é um precoce escritor de dezessete anos que, em seu aniversário, pede como presente à sua mãe, Manuela (Cecilia Roth), para ir a uma apresentação da peça “Um Bonde Chamado Desejo” (no cinema, Uma Rua Chamada Pecado, com Marlon Brando e Janet Leigh). Após o término, Esteban espera ansiosamente pela saída da estrela Huma Rojo (Marisa Paredes) dos camarins, a fim de pegar um autógrafo com ela. Em meio ao temporal, Esteban é atropelado, falecendo logo a seguir no hospital. Sozinha, sua mãe decide voltar para Barcelona, cidade de onde fugira há alguns anos atrás, para encontrar o pai do menino, que vive como travesti, e dar-lhe a difícil notícia. Fato: Almodóvar é fascinado por travestis.

Além, o filme conta com atuações de Penélope Cruz, atriz bastante proeminente da cena contemporânea. Acho importante enfocar também a ótima atuação de Marisa Paredes. Ela dá à sua personagem uma aura de melancolia e tristeza quase subjetiva, como se não fosse algo intencional, mas natural. Outro grande ator (?) é Antonia San Juan, que interpreta o travesti Agrado – igualmente de forma natural. Me pergunto algumas vezes se o ar debochado pertence ao criador ou à criatura. No mais, um longa que não pode faltar na coleção de qualquer cinéfilo que se preze. Almodóvar mostra de forma brilhante o motivo pelo qual é considerado um dos maiores diretores da atualidade.

Direção: Pedro Almodóvar
Roteiro: Pedro Almodóvar
Gênero: Drama
Origem: Espanha
Duração: 101 minutos
Tipo: Longa
Trailer: clique aqui
Site: clique aqui

 

 Por Eduardo Stigger

2 comentários

  1. Quando fui assistir “Má Educação”, não sabia do que o filme tratava, mas sabia que tinha o travesti. Entendo que talvez isso dê mais complexidade pros personagens, mas também deixa os filmes previsíveis.

    Daqui a pouco vai ter algum padre travesti. E olha que em Má Educação, bateu na trave.


  2. Eu tenho medo do almodovar. heuheuheuheue
    Mentira, nao tenho nao. Acho ele muito do cult.
    beijos!



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